desabafos de sereia: janeiro 2007

quinta-feira, janeiro 11, 2007

pas sans toi



sexta-feira, janeiro 05, 2007

mão


Sim, Eras tu

Lá estava eu,
De novo pensando sozinho
Com um grito suave
Implorava o teu carinho

Num dos meus pensamentos
Tive medo de te perder
Mas tão grandes sentimentos
Não dão para esquecer

Sim, eras tu,
Quem neles mandavas
Sei que mais um dia
E já não te lembravas

Recordo triste
A frieza com que falavas
E encontro no escuro
A calma com que sonhavas

Deixei-me levar
Voando no teu beijo
Descendo à terra feliz
E viver o simples desejo

- Gonçalo De Oliveira Nunes Serra

poema solidão

Entre sombras que vivo
O vento que passa
Corre para mim
Na noite me abraça

Conta-me segredos
São recordações
Que vêm de ti
Tantas emoções

Dentro de um poema
Tento imaginar
Palavras que invento
Para te cantar

Não posso conter
Tanta solidão
És vida na tela
A minha canção

Olho horizonte
E sinto por fim
Que vens muito ao longe
Correndo p'ra mim

Só, com a guitarra
E o som que me agita
Os dedos me tremem
É vida que grita




-Ricardo Oliveira

quinta-feira, janeiro 04, 2007

esta velha angustia

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
(...)
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou uma internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Estala, coração de vidro pintado!



- Alvaro Campos

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